Entrevistado: R1:(identidade preservada) R2: (identidade preservada)
Idade: R1:39 anos R2: 34 anos
Formação: R1:Pedagoga R2: Pedagoga
1)Como
foi sua reação ao saber que teria um aluno especial?
R1:Senti
receio pois a criança tinha Síndrome de Asperger, mas ao mesmo tempo me senti
desafiada.
R2: A
primeira reação de receio, pois a criança tinha Síndrome de Down.
2)Como
conseguiu desenvolver essa tarefa?
R1:Sempre
buscando diferentes estratégias para solucionar os problemas que apareciam,
estabelecendo parceria com a família e com a psicóloga da escola.
R2: Foi
realizada mas não como eu desejava.
3)Quais
o métodos que utilizou para ajudar a criança na aprendizagem?
R1:Não há um método específico, mas sim
uma reflexão constante, ajuda também informar-se sobre as características do
quadro da criança (sintomas e comorbidades)
R2: Por ser
uma criança com muitas limitações e atraso cognitivo, o trabalho se limitou em
cuidar.
4)Qual
foi a maior dificuldade?
R1:A
dificuldade foi quando a família se tornou resistente para aceitar as questões
que a escola apontava.
R2: A
dificuldade foi em conciliar a atenção que ela exigia e a necessidade da turma.
5)Como
docente, qual a sensação de ter um aluno especial e saber que você esta
ajudando-o a se desenvolver cada dia melhor?
R1:Sinto-me
gratificada, sinto que fiz alguma diferença no mundo.
R2: Minha
sensação era de que eu não estava o ajudando o suficiente, pois tinha muitas
necessidades a serem supridas e precisaria de dar mais atenção a ele.
Infelizmente não podia dar esta atenção pois tinha mais 23 alunos para ensinar.
6)Quais
atividades proporcionava?
R1:Atividades
ao ar livre, brincadeiras e atividades adaptadas.
R2: Todas
atividades da turma que a aluno estava. Não eram diferenciadas, apenas a
exigência para o aluno especial era bem menor. Ele fazia as que conseguia, como
conseguia, quando conseguia
7)Como
era o convívio com outras crianças?
R1:Acho que
proporciona um grande crescimento para o grupo, mas há conflitos que o
professor deve mediar, mas todos saem ganhando com a diversidade na sala de
aula, aprendem sobre respeito, tolerância e se tornam seres humanos melhores.
R2: No início
muito difícil. O aluno especial era muito agressivo. Com o tempo foi melhorando
e convivendo melhor. As crianças da turma o respeitavam, entretanto poucas
brincavam com ele e no lanche, ninguém queria sentar ao seu lado, devido à
dificuldade para se alimentar sozinho (a criança sempre se lambuzava, derramava
o lanche, mastigava de boca aberta, etc.)
8)Como
era a resposta dada desse aluno a suas atividades e expectativas?
R1:Algumas
vezes boa, porém em outras era agressivo, característica da síndrome.
R2: Suas
respostas eram lentas e muito aquém da turma, porém dentro do que eu esperava,
pois sabia suas dificuldades.
9)Como
era a sala e o número de alunos?
R1:Tamanho
adequado e com 21 alunos.
R2: Sala de
alunos entre 4 e 5 anos, num total de 24 alunos.
10)A
escola era projetada considerando a inclusão de alunos com deficiências físicas
e mentais?
R1:Sim.
R2: No caso
de rampas de acessibilidade e elevadores sim, nos outros aspectos,
principalmente os pedagógicos e de assessoramento ao aluno , não.
11)Como
era o espaço físico em relação a solos e rampas?
R1:Adequado
de acordo com as normas previstas pela diretoria de ensino.
R2: Haviam
rampas, elevadores e corrimãos.
12)Há
recursos e tecnologias assistivas para trabalhar com esses alunos?
R1:Não.
R2: Não.
13)Há
cursos, ou orientação de formação continuada periódica para capacitação dos
docentes?
R1:Sim, fiz
alguns cursos na Escola da Vila em São Paulo.
R2: Não.
14)Há
reunião periódica de discussão de casos e estratégias para inclusão dos alunos
com deficiência?
R1:Sim,
semanalmente.
R2: Não.
15)Os
horários de intervalos são diferenciados entre Educação Infantil e Ensino
Médio?
R1:Sim.
R2: Sim.
16)No
intervalo tem brincadeiras dirigidas para alunos especiais com acompanhamento
de monitores?
R1:As
professores acompanhavam o intervalo e faziam as intervenções necessárias, mas
não eram atividades dirigidas
R2: Não.
17) Qual
foi a reação dos alunos em sala de aula com essa criança com deficiência física
ou mental?
R1:De
estranhamento, repulsa até chegar à aceitação.
R2: No início
estranhavam o comportamento do aluno.
18) Teve alguma alteração nos procedimento
didático, como adaptação de material, aquisição de material especializado,
precisou de sala de apoio o aluno?
R1:Sim fazíamos a
adaptação de atividades na área de Matemática, em um período em que o aluno
esteve mais agressivo contei com uma professora assistente.
R2: Não adaptei material. Não deixava
o aluno manipular tesouras, por ele não conseguir e ser um risco para si e os
demais.
19) Teve alguma alteração em relação ao
conteúdo aos demais alunos
R1:Não, seguimos o
planejamento adequadamente.
R2: Segui o conteúdo para a turma, o
aluno não conseguia acompanhar a turma, mas se superou muito. No início não
conseguia fazer atividades de papel. A amassava e rasgava, só rabiscava e
rabiscava mesa e parede. No final do ano, conseguia se limitar ao papel, fazia
círculos, tentava colorir dentro dos limites do desenho e não rasgava suas
atividades nem dos colegas. Aprendeu reconhecer algumas letras.
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